Cuzco

Plaza de Armas - Cuzco / Peru

Um sonho antigo e uma decisão irreversível, realizaram esta aventura, misto de expedição e rally. O objetivo era claro: chegar a Cuzco e de lá, conhecer Machu Picchu, o Lago Titicaca e Chacaltaya. A vontade e o pouco tempo disponível fez a expedição no estilo rally. Mas valeu a pena. Foram dias de muita experiência e grande emoção.

A saída de Porto Velho aconteceu no domingo, 1° de julho de 2001, as 6 horas da manhã, com destino a Assis Brasil, no Estado do Acre, onde fizemos a travessia do Rio Acre na segunda feira. Foram 870 km percorridos neste primeiro dia de viagem.

Aí cometemos o primeiro erro, pois o certo era termos parado em Brasiléia para registrarmos nossa saída, incluindo as declarações dos veículos e objetos pessoais de origem estrangeira. Em nosso retorno, por Guajara Mirim, lamentaríamos esta falha.

Um pernoite razoável e já cedo fizemos a travessia do Rio Acre para Inapari, primeira cidade do Peru. O Brasil ficara para traz e agora o que valia eram as leis e costumes do povo Peruano.

Em Inapari, a parada é obrigatória para que se faça o despacho na Aduana local, para os vistos de entrada no Passaporte e apresentação da documentação do veículo.

Inapari /Peru

 

A travessia do rio Madre de Dios, que formará o Rio Madeira, é feito em pequenas  balsas onde cabe apenas um veículo, e nos permite chegar em Puerto Maldonado.

 

Quincemil / Peru

Cidade marco, onde, a leste, começa a Floresta Amazônica. e a oeste, a subida da Cordilheira dos Andes. E, para quem o destino é Cuzco, aqui começa a aventura.

E aqui iniciamos, de fato, a penosa subida dos 5.600 metros, percorrendo os 47 km de estrada íngreme, a velocidade de 10 Km/hora, que nos levaram a Huallahuaylla.

Marcapata /Peru

Em Marcapata, o melhor hotel que encontramos foi a Comissaria de Policia, que nos foi gentilmente cedida pelos policiais, que mais uma vez demonstraram grande atenção com os turistas, onde dormimos nos alojamentos da Patrulha Nacional del Peru.

A ponte suspensa de Marcapato e as nascentes que formarão o Rio Amazonas, fazem a beleza do percurso até que se atija o topo dos Andes.

 Era um frio "de lascar". Nesta subida, o Paulo Andrade (Pai), fumante inveterado, sofreu com o ar rarefeito, foi necessário o uso do cilindro de oxigênio providenciado pela jipeira Goiany.

Já próximo a Huallahuaylla, começamos a perceber a grandiosidade da cordilheira e a ter o primeiro contato com a neve. O termômetro indicando cinco graus negativos, nos obrigava a manter a pick-up fechada e com  o aquecimento constantemente ligado.

Huallahuaylla / Peru

O ponto mais alto dos caminhos que levam a Cuzco. São mais de 5.600 metros de altitude

A estrada, construída em volta dos "paredões", esta em constante manutenção. É uma subida íngreme e perigosa, onde dois veículos passam com dificuldade e o mais leve sempre fica na beira dos precipícios.

Até Cuzcu, onde chegamos no final do dia, encontramos fantásticas paisagens, montanhas geladas, águas termais num lugarejo chamado (Aguas Calientes), ao chegarmos nesta localidade, a temperatura no final da tarde era de 6°C, na madrugada não tenho registro mas o frio foi feroz.

Visitando Machu Picchu cumprimos o primeiro objetivo de nossa aventura. E é indescritível. A começar pela viagem de trem, num "zig-zag" diferente de tudo aquilo que conhecemos.

Saímos de Cuzco no domingo dia 8 de julho, com destino a Puno. São 389 km na horizontal e 428 metros na vertical.

Faltando 25 km para Ayaviri, exagerei na velocidade e destruí a turbina do motor e, por conta disto, improvisamos um almoço na base do "miojo", enquanto isolamos os dutos de óleo da turbina, e continuamos o passeio, rodamos até Pucara.

O carro fumaçava muito e o óleo do carter já havia esgotado e resolvemos rebocar-lo. No início da noite chegamos a Puno, fomos a uma oficina e demos um "jeitinho" para eliminar os vazamentos.

A noite em Puno foi bela, a lua cheia surgiu do meio do Titicaca e a temperatura baixou a -3ºC, os carros ainda mantiham pela manha uma fina camada de gelo sobre a lataria. Degustamos umas trutras a beira da lareira do hotel Eco Inn (recomendo).

Lago Titicaca - fazendo a fronteira entre o Peru e a Bolívia

Saimos por volta das 09 em direção a La Paz, chegamos na fronteira em Desaguadeiro, pois Copacabana foi desaconselhada pela embaixada através de e-mail, era mais ou menos meio dia, nosso primeiro contato com a aduana Boliviana foi dispendioso do ponto de vista financeiro, o mesmo se repetiu por quase todo o trajeto em solo Boliviano, chegamos em La Paz no final da tarde, após alguns desencontros e graças a ajuda de um sr. chamado Victor, soubemos onde levar a Pick-up para reparar o Turbo.

Os serviços ficaram a cargo do Lorenzo e do Miguel Salvatierra, aos quais enviamos nossos agradecimentos pelo empenho na reconstrução da turbina.

Na manhã do dia 10, enquanto a turbina era reparada, fomos visitar o CHACALTAYA, trata-se de uma estação e esqui a 5.260 metros (na vertical...) e ha uns 1.400 km de Porto Velho, ou seja, se você nunca viu neve, ela está, em relação a Porto Velho, na mesma distância de Cuiabá. Apesar da dificuldade de acesso, vale a pena visitar.

Chacaltaya/Bolívia - a mais alta estação de esqui do mundo.

Agora era "ladeira a baixo"! Saímos de La Paz para descermos os 3.660 metros do altiplano até Guayaramerin, por volta das 16:00 hs, em direção a Coroico. Eram os primeiros 97 Km do nosso retorno. Como chegamos a Coroico ainda cedo para dormir, resolvemos seguir até Caranavi.

A estrada é muito perigosa, estreita, acidentada, de terra, e tráfego de caminhões que sempre lhe oferecem o abismo como estacionamento... chegamos a Caranavi por volta de 01:00 da madrugada e para nossa surpresa conseguimos acomodações relativamente boas.

Saímos de Caranavi por volta das 08:00 hs da manhã em direção a Guayaramerim, são 867 km, realizamos este percurso em 24 horas sem escalas, nesse trajeto encontramos as piores condições de tráfego, e mesmo assim tínhamos que pagar pedágio... 

Chegamos a Guayaramerim por volta das 08:00 do dia 12. Os desembaraços aduaneiros demandaram cerca de 4 horas e a travessia do Rio Mamoré nos fez sentir em casa. Retornamos ao Brasil. Almoçamos já em Guajara Mirim e chegamos a Porto Velho no ocaso deste mesmo dia.

Quem quiser mais detalhes, ver as paisagens, sentir o frio e a neve, comer trutas, comprar jóias de prata em Cuzco, tomar banho em águas termais, atolar e desatolar carro, é só pegar a estrada e boa sorte!

Paulo Andrade