Itaituba

Com o objetivo de percorrer toda a parte tida como intransitável da lendária Transamazônica, no trecho entre Humaitá/AM e Itaituba/PA, depois de muitas peripécias, enfrentando a floresta, lama, poeira, mosquitos, balsas e buracos de todo tipo, a equipe montou sua primeira grande expedição, fazendo o trajeto de ida e volta em tempo recorde.

Em quatro veículos Land Rover, modelo 110 (duas SW e duas Pick-ups), o início da viagem deu-se na noite do dia 11 de fevereiro de 1999, com a travessia da balsa sobre o Rio Madeira, com destino a Humaitá, para o pernoite, onde chegamos às 2,00 h. Já às 6,00 horas partíamos dessa cidade na primeira balsa para nova travessia do Rio Madeira, agora com destino à cidade de Apuí, distante 400 km.

Pontes há em todo lugar, várias delas já são verdadeira pinguelas, exigindo muito cuidado na travessia. Outras estão a um nível abaixo da visão do motorista. Quem dirigir desatento, terá problemas, e essa recomendação é válida para toda a estrada.

A viagem deu a oportunidade de conhecer lindas cachoeiras, como a da foto, dourada pelos raios do sol. Situada a 35 km de Apuí (Amazonas), foi ponto de repouso no retorno.

A cerca de 54 quilômetros de Itaituba, começa o Parque Nacional da Amazônia, administrado pelo IBAMA e muito visitado por turistas e estudiosos estrangeiros.

Mediante permissão, é possível fazer uma visita ao local, onde há uma praia à beira do Tapajós, ponto adequado para preparar uma refeição sob um bosque, com vista para uma cachoeira e o ruído das águas do rio.

A viagem prosseguiu por pontes, bueiros, um pouco de barro e muito sol, até atingir o lindo rio Aripuanã, no km 312, cuja travessia se faz por meio de balsa.

Em alguns momentos, era impossível não deixar de aproveitar um pouco da sombra e da paisagem. Aí, à beira do rio Tapajós.

Café da manhã e almoço eram à beira da estrada, com excelente preparação pelo Rocha, que além de jipeiro é mestre cuca, mecânico, motorista e pau-prá-toda-obra.

Parte da equipe: 
Vilela, Vlademir, Fernando, Israel, Benitez, Paulo e Pacheco. 

ITAITUBA/PA
Uma viagem pela Transamazônica

Aproveitando os feriados deste Carnaval/99, uma expedição composta de onze intrépidos aventureiros partiu de Porto Velho, com o objetivo de percorrer toda a parte tida como intransitável da lendária Transamazônica, no trecho entre Humaitá-AM, e Itaituba, no Pará. Por ser época de chuvas e como o tempo livre dos integrantes era curto, havia um clima de incerteza sobre o sucesso do evento.

Depois de muitas peripécias, enfrentando lama, poeira, mosquitos, balsas e buracos de todo tipo, especialmente os provocados por erosão, a equipe conseguiu seu intento, fazendo o trajeto ida e volta em tempo recorde.

Antes de tudo, é bom esclarecer que a Rodovia Transamazônica não passa por Manaus, como muitos pensam. Ela corta o Brasil de Leste a Oeste, nascendo teoricamente em Recife e João Pessoa, unindo-se no Piauí e daí passando por Maranhão, Pará e sul do Amazonas. O sonho era ligar o Atlântico ao Pacífico..., porém, mal chegou até Lábrea-AM.

Segue o relato resumido da façanha, para o conhecimento de todos os que se interessam por veículos Off Road e as trilhas e aventuras que eles proporcionam.

Uma carreta no rio.

Em quatro veículos Land Rover, modelo 110 (duas SW e duas Pick-ups), o início da viagem deu-se na noite do dia 11 de fevereiro, com a travessia da balsa sobre o Rio Madeira, com destino a Humaitá, para o pernoite, onde chegamos às 2,00 h. Já às 6,00 horas partíamos dessa cidade na primeira balsa para nova travessia do Rio Madeira, agora com destino à cidade de Apuí, distante 400 km.

Após tomar um saboroso café da manhã à beira da estrada, com excelente preparação pelo cuca-mecânico-motorista-pau-prá-toda-obra Rocha, a viagem prosseguiu por pontes, bueiros, um pouco de barro e muito sol, até atingir o lindo rio Aripuanã, no km 312, cuja travessia se faz por meio de balsa. Eram já 14,00 h do dia 12, e nos instalamos em uma sombra à beira do rio, para uma rápida refeição. Esse local de travessia de balsa é chamado matá-matá, porque dizem que, em uma cachoeira que fica nas proximidades, morreu muita gente, recebendo esse apelido dos índios. Outro nos contou que é porque não se cansa de "matá" carapanãs. Na realidade, segundo Maretto, amigo engenheiro florestal, trata-se de uma espécie arbórea da amazônia, cuja madeira é muito utilizada em construções e movelaria.

Enquanto ultimávamos os preparos, uma carreta dotada de pranchão, com uma pá carregadeira em cima, avançou sobre a balsa sem que tivesse sido autorizada pelos controladores. Como ainda estava solta, assim que o cavalo subiu sobre a balsa, o peso fez com que ela se movesse para o meio do rio, sem que desse tempo de subir o restante da carreta. Foi uma correria danada, não só entre os balseiros que tentavam acionar o motor do rebocador e controlar a balsa, como entre nós, loucos atrás das câmaras e filmadoras, pois não se podia perder o espetáculo sem gravá-lo: a balsa adernando e a carreta, metade sobre a balsa, metade sumida dentro do rio. Soubemos depois que somente a muito custo e já à noite, conseguiram controlar a situação. Ficamos imaginando se o fato tivesse ocorrido antes da nossa travessia, praticamente seria o fim da nossa expedição.

Cachoeira do Apuí

Na cidade de Apuí, importante município de vocação agropecuária do Estado do Amazonas, fomos gentilmente recebidos pelos moradores, que, tão logo souberam do nosso objetivo, nos incentivaram afirmando que, com os veículos que estávamos, iríamos conseguir chegar a Itaituba, isso sem deixar de alertar para o excesso de piuns, borrachudos, buracos e outros percalços.

Para nos animar, conseguiram instalações à beira de uma cachoeira do Rio Juma, distante 2,5 km do centro da cidade. Foi uma noite de recuperação, sob diferentes sons. O barulho das corredeiras e da água caindo na cachoeira não incomodava, mas de repente, um dos companheiros apareceu assustado, pois ouvira na mata alguns esturros assustadores. Pensando ser onça, acordou-nos a todos, até que recebeu a explicação que não passava de um bugio fazendo festa para impressionar alguma amada. Depois das gozações, parece que todos dormiram com sorrisos nos lábios.

Como bons jipeiros, logo pela manhã do dia 13 estávamos novamente a caminho, chegando às 12 h à beira do rio Sucunduri, atravessado por balsa. Interessante que o rebocador era uma embarcação rústica escavada de apenas um tronco, tipo voadeira dotada de um motor 25 hp! E deu conta do recado.

"Jacarepium"

Seguindo em frente, começamos a ver sinais da verdadeira Transamazônica, na forma como a gente esperava. Muita mata, estrada estreita, buracos, erosões, capim no meio da pista, muitas árvores caídas, forçando desvios a todo momento. Em alguns trechos, caso houvesse chuva, a passagem ficaria impossível. Há pontos de erosão ao longo da pista, obrigando o motorista a verdadeiros malabarismos, pois não tem como fugir: pelo meio, a erosão e lama; dos lados, mata e barrancos íngremes.

Depois de muito rodar, encontramos umas placas coloridas, uma dando as boas vindas a Jacareacanga, e a outra, invertida, desejando boa viajem. Não resistimos à tentação: posicionamos os veículos para fotografia e descemos para as poses. Não durou muito para percebermos o ataque avassalador dos piuns, que certamente ali ficam esperando os incautos que, apesar de avisados, descem dos carros sem ter passado qualquer repelente. Foi uma festa. Para eles, é claro! Davam a impressão que anunciavam: "sangue novo na área!"

Chegar até a cidade parecia que ia ser um alívio, mas isso não aconteceu, pois constatamos que também há piuns urbanos. Foi unânime a impressão de que o lugarejo serviria apenas para abastecer. Quem procurou cerveja gelada nos botecos, recebeu sempre a mesma resposta: "só temos guaraná, e não está gelado". Na realidade, aquele povo sofre com a falta de energia, que não dura mais do que quatro horas por dia, quando tem.

Apesar do horário e ainda sem almoço (16 h), tão logo ocorreu o abastecimento, providenciamos um ligeiro sanduíche de salame e pão, e buscamos novamente a estrada. O calor, os mosquitos e a poeira davam uma sensação de mal-estar, só melhorado com o retorno da passagem rápida da paisagem.

Graças às informações recebidas, paramos 45 km à frente, no Igarapé Preto, onde ainda existem algumas instalações antigas do DNER, que insistem em permanecer de pé. Há um galpão com telhas de amianto, paredes querendo ruir, mas que foram suficientes para passar a noite, não sem antes obter autorização do lendário "João do Pinto", que diz morar por ali desde 1975 e pretende direitos sobre as terras.

Entre as conversas a beira da fogueira, o Paulo lembrou que viu ligeiramente na estrada uma "vermelha" (onça), mas que tinha por sonho, ainda nessa viagem, ver uma "pintada". Pena, porque, apesar de muitas na região, até o final da viagem só a viu em pele, decorando paredes de alguns barracos.

Apesar dos insetos caseiros (baratas, aranhas, escorpiões), a noite transcorreu normal e sem a prometida chuva, cujos sinais sempre nos acompanharam por todo o trajeto.

Cintura fina

No dia 14, novamente na estrada. Em vários pontos está visível o processo de erosão, que em várias ocasiões já tornou intransitável a rodovia. Apesar dos sinais de recuperação, a estrada ainda corre riscos imediatos de interdição. Uma das passagens que buscávamos anotar, o famoso buraco chamado Cintura Fina quase passou despercebido, pois no local foi feito um grande desvio, não lembrando em nada o que já foi (km 100, na nossa planilha). Ainda assim, outros pontos quase o igualam em ameaças para o futuro. No entanto, a viagem prosseguiu, sem percalços.

Mais adiante, deparamos com uma pista de pouso no local chamado km 302 (km 118 nosso), onde havia uma aeronave pousada, à espera de garimpeiros, comuns na região. Mais adiante, algumas caçambas e máquinas pretendiam um arremedo de conserto para a estrada, mas apenas em pequenos trechos, sem alterar significativamente o que o tempo já havia feito com a estrada. Em cerca de 15 km, apenas retiravam as árvores caídas, ou faziam pequenos desvios para água da chuva.

O almoço ocorreu à beira de um rio com uma placa indicando o Garimpo do Bananal. Como não havia ninguém para informar, ficamos sem saber o nome correto daquele rio. Enquanto isso, ficamos repassando quem vira mais animais. O certo é que a estrada, por não ter movimento, proporciona avistar vários bichos, na maioria jacus, araras, cotias e por aí afora.

Pelo fim da tarde daquele domingo, chegamos a Itaituba, onde também chegava uma turma do motoqueiros daquela cidade, que haviam passado o dia fazendo trilha. Logo nos indicaram alguns locais propícios para acampar, mas preferimos procurar um hotel, pois estávamos todos cansados e ainda havia a necessidade do imediato retorno logo pela manhã. Assim, a ordem era descansar já.

A cidade é bem estruturada e serve também de apoio aos garimpos da região. Há grande movimento na feira e, como quase não circula ônibus pelas linhas vicinais, há toda uma frota de caminhonetes D-20 com capotas especiais, adaptadas para levar os garimpeiros aos seus destinos. Não deixamos de fazer a observação de que são carros 4X10 (quatro pneus no chão e 10 garimpeiros empurrando).

O rio Tapajós é simplesmente muito bonito e há necessidade de atravessá-lo por balsa, caso se pretenda atingir a rodovia Cuiabá-Santarém. Informaram-nos que o trevo fica a 30 km e está transitável.

Como o nosso objetivo era chegar até essa cidade, tivemos que retornar logo pela manhã da segunda-feira, pois, como dito, o tempo era curto e havia o medo de algum temporal romper a estrada. Felizmente, as chuvas no retorno não foram tão fortes, proporcionando apenas um pouco de adrenalina, com derrapagens, uso de reduzida e alguns atoleiros que exigiram puxar os que ficaram encavalados.

É importante destacar que o trecho que fizemos no Pará, é todo quebrado. Existem topes impressionantes, bem acentuados, longos e um atrás do outro, em verdadeiro tobogã, na expressão utilizada pelo Rocha. Como são muitos quilômetros assim, qualquer chuva pode causar sérios transtornos a quem se aventura por aqueles lados. Tanto isso é verdade que os maiores problemas tivemos nas descidas, pelo escorregadio da pista.

Pontes há em todo lugar, várias delas já são verdadeira pinguelas, exigindo muito cuidado na travessia. Outras estão a um nível abaixo da visão do motorista. Quem dirigir desatento, terá problemas, e essa recomendação é válida para toda a estrada.

PANAM

A cerca de 54 quilômetros de Itaituba, começa o Parque Nacional da Amazônia, administrado pelo IBAMA e muito visitado por turistas e estudiosos estrangeiros. Na sede administrativa (km 58), há uma porteira com cadeado. Mediante permissão a ser obtida na cidade, é possível fazer uma visita demorada ao local, onde há uma praia à beira do Tapajós, ponto adequado para preparar uma refeição sob um bosque frondoso, tudo com vista para uma cachoeira e o ruído das águas do rio. Para os que gostam, não há melhor.

Novamente na estrada, mais uma noite foi passada nos "alojamentos" do João do Pinto, onde deixamos cestas básicas como forma de agradecimento pela acolhida. Naquelas distâncias, só vendo a felicidade dele.

O restante da viagem ocorreu sem problemas, em que pese as mesmas dificuldades já apontadas acima: buracos, barro, erosão etc. Após muitas trocas de marcha do veículo, chegamos ao meio da tarde na chamada Cachoeira do Paredão, a 35 km de Apuí. Coisa linda, ao entardecer, a apelidamos de Cachoeira Dourada, pelo jogo de luz produzido pelo astro-rei que se ia, destacando com os seus últimos raios os mais de 20 metros de queda d’água.

Mas, de felizes jipeiros, para nós também chegou a hora de voltarmos à abóbora... Na manhã do dia 18, estávamos de novo em Porto Velho, para as nossas atividades. Mas uma certeza ficou, e isso era visto no brilho dos olhos de todos: foi simplesmente D+!!!

Componentes da expedição Buriti Adventures:

1. Antônio Rocha Menezes – Gerente da Assistência Técnica da Buriti, concessionária Land Rover – P.Velho/RO;

2. Carlos Fernando Vale – Gerente da filial da Buriti – Vilhena-RO;

3. Evaldo Antônio dos Santos – Mecânico da Buriti, concessionária Land Rover – P.Velho/RO;

4. José Vilela Gomes – fotógrafo;

5. Enrique Egea Pacheco – Administrador de Empresas, Gerente Geral da Buriti, concessionária Land Rover – P.Velho/RO (69) 225-2600;

6. Ivo Benitez – Promotor de Justiça, Promotoria do Meio Ambiente – P.Velho/RO (69) 981-2748;

7. Guilherme César Benitez - estudante – Porto Velho–RO;

8. Israel Correa do Vale – Empresário – Empresa de Terraplanagem – P.Velho/RO;

9. Israel Correa do Vale Jr – Estudante de Biologia – P.Velho/RO.

10. Paulo César Santos Ramos – Veterinário e professor;

11. Wlademir Pagnoncelli – Comerciante – Vilhena/RO;

QUADRO DE DISTÂNCIAS

Trecho

Distância

km acumulados

Porto Velho/Humaitá

210

210

Humaitá/Apuí

417

627

Apuí/Jacareacanga

290

917

Jacareacanga/Itaituba

401

1.318